Home / Blog / Tradução Semântica v.s. Tradução Comunicativa – Parte 1

Tradução Semântica v.s. Tradução Comunicativa – Parte 1

Tradução Semântica v.s. Tradução Comunicativa – Parte 1

A especialista em tradução Mona Baker explica que o interesse pela tradução é quase tão antigo quanto a própria civilização humana. Existe uma vasta quantidade de literatura sobre o assunto, remontando pelo menos a Cícero, no século I a.C. (2001, p. 277). No entanto, Baker destaca que o campo académico dos Estudos da Tradução é relativamente novo — com apenas algumas décadas de existência. Embora a tradução tenha sido estudada em contextos académicos no passado (como na literatura comparada ou linguística contrastiva), foi somente na segunda metade do século XX que os estudiosos começaram a defender a pesquisa sistemática sobre tradução e o desenvolvimento de teorias consistentes da tradução (2001, p. 277).

Os Estudos da Tradução incumbem o conhecimento de muitas outras disciplinas, incluindo linguística, literatura, teoria da comunicação, história, antropologia, psicologia, filosofia e estudos culturais.

Nesta secção, você realizará uma actividade de tradução. Mas primeiro, você explorará um conceito importante na teoria da tradução que o ajudará a compreender alguns dos desafios enfrentados pelos tradutores.

O conceito-chave em que nos concentraremos é a equivalência. Ao traduzir um texto para outro idioma, podemos afirmar que os dois textos são equivalentes? Ou, dito de outra forma, traduzir se resume a substituir uma palavra no idioma de origem por seu “equivalente” no idioma de destino? Académicos têm debatido essas questões e proposto diferentes maneiras de compreender a equivalência. Alguns chegam a questionar a própria ideia de equivalência, argumentando que enxergar a tradução apenas nesses termos a reduz a um processo linguístico mecânico — uma mera troca de palavras entre idiomas — sem considerar o contexto cultural mais amplo, o tipo e a finalidade do texto, quem encomendou a tradução e as necessidades do público-alvo.

Tradução Semântica v.s. Tradução Comunicativa – Part 2

O estudioso da tradução Peter Newmark (1916–2011) explorou o conceito de equivalência, questionando se uma tradução deveria permanecer o mais próxima possível da língua de origem ou buscar soar natural e idiomática na língua de destino. Ele denominou essas duas abordagens de tradução semântica e tradução comunicativa, respectivamente.

De acordo com Newmark, a tradução semântica tenta reproduzir o significado contextual preciso do original, o mais fielmente possível, dentro das limitações impostas pelas estruturas semânticas e sintáticas da língua de destino (1981, p. 39). Essa abordagem é orientada para o texto de origem — ela permanece fiel ao autor original e, muitas vezes, vinculada à cultura do texto de origem. Embora seja legível, ela auxilia o leitor apenas quando as conotações culturais são essenciais para a mensagem. A tradução semântica tende a ser mais detalhada, complexa e, por vezes, até mesmo rebuscada, frequentemente traduzindo em excesso para preservar nuances. Ela normalmente opera ao nível da palavra ou do grupo de palavras (1981, p. 60).

Em contraste, a tradução comunicativa visa criar um efeito semelhante no leitor-alvo ao efeito que o texto original teve em seus leitores (1981, p. 39). Essa abordagem é orientada para o texto-alvo — utiliza uma linguagem mais livre e idiomática para garantir uma leitura fluida. Parte-se do pressuposto, de que o leitor-alvo não encontrará desafios linguísticos ou culturais e, portanto, adapta elementos estrangeiros quando necessário. A tradução comunicativa prioriza a mensagem geral e seu impacto, em vez de se ater estritamente à forma. Geralmente é mais simples, clara, convencional e tende a subtraduzir, utilizando termos mais gerais em trechos difíceis. Ela atua mais ao nível da frase (1981, p. 60).

Você que é tradutor inexperiente, esse conteúdo lhe foi útil? Conta-me!

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *