Peter Newmark apresentou a teoria de que a maioria dos textos se beneficia mais da tradução comunicativa do que da tradução semântica. Ele acreditava que a tradução comunicativa é mais apropriada para textos não literários — como livros didáticos, manuais técnicos, relatórios, instruções, anúncios, propaganda e ficção popular — porque o objetivo é transmitir informações de forma clara e eficaz ao leitor, adaptando a mensagem às expectativas linguísticas e culturais do público-alvo.
Em contraste, a tradução semântica deve ser aplicada a textos nos quais a forma, o estilo e as escolhas linguísticas do autor original têm tanto peso quanto o próprio conteúdo. Isso inclui obras literárias, discursos históricos, correspondências pessoais, diários e autobiografias — géneros nos quais o tom, a nuance e a voz autoral são fundamentais para o significado. Para Newmark, textos desse tipo exigem uma reprodução fiel da estrutura lexical e gramatical da língua de origem. Ele afirmou, de forma memorável: “Qualquer declaração importante requer uma versão o mais próxima possível da estrutura lexical e gramatical original” (1981, p. 44).

Charles de Gaulle’s radio broadcast
Como exemplo, Newmark cita a histórica transmissão radiofônica de Charles de Gaulle em 18 de junho de 1940, um momento crucial na história moderna da Europa. Segundo Newmark, um discurso de tamanha importância política e emocional deve ser traduzido semanticamente para preservar o impacto retórico, a formalidade e a dignidade do original. Ele também enfatizou que textos como autobiografias, cartas particulares ou qualquer forma de expressão pessoal devem receber tratamento semântico, porque “o sabor íntimo do original é mais importante do que seu efeito sobre o leitor” (1981, p. 45).
A distinção de Newmark também revela preocupações mais amplas nos estudos de tradução sobre a função do texto, as expectativas do público e o propósito da tradução. Sua estrutura sugere que o tradutor deve sempre considerar a intenção do autor original, o gênero e o registro do texto e o contexto cultural e comunicativo em que a tradução será recebida.
Em última análise, a contribuição de Newmark reside em oferecer uma abordagem pragmática à tradução: nenhum dos métodos é inerentemente superior, mas cada um se adequa a diferentes tipos de texto, objetivos de tradução e necessidades do público. O tradutor qualificado, portanto, deve ser capaz de transitar com flexibilidade entre essas duas abordagens, aplicando estratégias semânticas ou comunicativas conforme apropriado à tarefa em questão.